terça-feira, 11 de novembro de 2008

Raul Seixas

EDITORA: EDIOURO PUBLICACOES S/A
ASSUNTO: MÚSICA
ISBN: 8500017872
EDIÇÃO:
NÚMERO DE PÁGINAS: 224


Para quem esperava mais uma reedição de O BAÚ DO RAUL, lançado em 1992, esse é, em sua quase totalidade, um livro novo. E mais: apresenta textos escritos de próprio punho por Raul Seixas (1945 - 1989), dando uma idéia de sua angústia existencial, que sempre marcou suas letras musicais, sem abrir mão do bom humor.

Os vários trechos que em O BAÚ DO RAUL eram atribuídos a Raul Seixas - e que na verdade eram de Nietzsche, Proudhon, Rousseau, entre outros - foram deletados desta versão, que, no entanto não deixa de ter um pequeno equívoco: a sextilha de cordel que compara a saudade a um parafuso não é de Raul, mas neste caso o equívoco é desculpável, pois até mesmo os estudiosos têm encontrado certa dificuldade em identificar o autor, pelo fato de ter se tornado quase de domínio público. Mas o que importa neste trabalho é que ele comprova que, muitos anos após a sua morte, Raul
Seixas continua afiadíssimo e o seu público, fato estranho no Brasil, mantém uma religiosa fidelidade, sempre à espera de novidades do e sobre o genial cantor e compositor baiano.

E talvez esse seja o maior mérito deste O BAÚ DO RAUL REVIRADO: Apresentar, apesar da edição rica em detalhes, um Raul autêntico, com boa parte de seus textos apresentados ao público tal qual o seu autor os escreveu, sem revisão ortográfica ou qualquer outro artifício que lhe subtraísse parte de sua originalidade. Raul Seixas segue vociferando suas imprecações contra o Sistema, desferindo violentos golpes contra a mediocridade, abusando daqueles que cometem toda sorte de abusos. Raul segue destilando seu veneno com um senso de irreverência, que faz com que esta manjadíssima palavra tenha de ser reinterpretada e entendida como sinônimo de seriedade (!). Do fundo de seu lendário BAÚ, o intrépido Raulzito continua compondo com seu eterno parceiro Paulo Coelho uma canção que não tem época e é de todas as épocas.



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